Música de Adoração?

Bom, é um assunto muito complexo, porém vou usar apenas um versículo para esclarecer minha opinião: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4.22 e 23)

É interessante começar esse artigo dizendo o que é adoração: Em minha opinião, Adoração se inicia em um sentimento que precede a uma atitude que expresse esse sentimento em relação a algo ou alguém. Lembrando que essa atitude não é obrigatoriamente externa, como chamamos de Adoração Gestual, pode ser expressa das mais diversas formas desde algo nada visual ou um suspiro, até a uma forma extravagante como um grito ou um pulo. Enfim, cada um se expressa da forma que sente no coração de fazer em resposta a esse sentimento chamado adoração. Normalmente a adoração toma forma de um sentimento de gratidão, já que na maioria das vezes adoramos algo ou alguém em resposta de um benefício que este nos trouxe, mas pode evoluir pra um estilo de vida, o que na verdade, é o desejo de Deus em relação à adoração a Ele.

Mas se adoração é um sentimento que precede a uma atitude podendo evoluir a uma prática diária, qual é a ligação da música com a adoração, porque dizem “Música de Adoração”? Na verdade é um termo muito utilizado, que gera um debate, porque na verdade, você poderá ouvir essa tal “Música de Adoração” sem de fato adorar, ou seja, ela é uma ferramenta que pode ou não ser utilizada para a adoração. Se você ouve uma música, e está adorando ao Senhor naquele momento, não é na verdade, a música que fez com que aquela ocasião fosse uma adoração, mas sim uma atitude proveniente do sentimento que você tem por Deus. Para o compositor, realmente ele poderá dizer que a música que compôs, foi reflexo de uma atitude externa proveniente do amor que sente por Deus, mas isso, se realmente tiver acontecido.

E por isso, quero atentar para algumas coisas que freqüentemente vejo nas minhas viagens com o Godcore. Às vezes somos convidados para tocar em eventos onde somos direcionados a tocar outras músicas, que costumo chamar de POPULARES, porque as chamo de populares? Simplesmente pelo fato de serem mais conhecidas dentro das igrejas em geral, que pra mim se classificam em duas categorias: “MÚSICAS LENTAS e MÚSICAS RÁPIDAS” e talvez alguma intermediária. Vou explicar isso melhor. Certa vez em uma determinada igreja, a liderança nos orientou dizendo: “Vocês irão tocar seis músicas, toquem quatro músicas do repertório comum de vocês e depois toquem mais duas de adoração”. Eu fiquei analisando essa frase, é um costume que adentrou a igreja, não sei como, mas certo é que não se pode diferenciar dessa forma. Por que, se sou adorador, adoro ouvindo qualquer tipo de música, seja ela, lenta, rápida, seja rock, pagode, clássica e dos mais diversos estilos que estiverem sendo ministrados em cultos ao Senhor Todo Poderoso, e mais, se sou mesmo adorador, não dependo nem de música pra isso, adoração é uma coisa, música é outra. Jesus disse em João 4.22 que o Pai procura adoradores que o adoram em Espírito e em verdade, não com músicas, seja lentas, ou rápidas, dessa ou daquela forma, Ele não nos deixou um padrão de adoração que estivesse relacionado com o exterior do homem. É em espírito e em verdade, ou seja, parte do interior sendo sincero a Deus. Ninguém tem o direito de dizer que você está ou não adorando a Deus, baseando pela forma como está se expressando. Certa vez, ouvir um dirigente de Louvor dizer: “Adore ao Senhor, cante, pule, grite, faça barulho, mas se quiser ficar sentado em silêncio também, faça-o, desde que esteja adorando ao Senhor!” Logicamente, que é esperado que nas músicas mais rápidas, a resposta seja dada ao louvor com danças e pulos, mas não posso te julgar em falar que você não está adorando, não é um padrão obrigatório. O padrão é em espírito e em verdade, simplesmente isso.

A música pode ser usada na adoração, como a adoração pode ser usada na música, elas podem se relacionar, mas são independentes, as duas coisas acontecem livremente de forma separada, sem depender uma da outra, como também, podem caminhar lado a lado. Muitas pessoas associam a adoração à uma música lenta como por exemplo, PODEROSO DEUS, do Pr. Antônio Cirilo. E diferenciam de forma a padronizar um estilo de adoração, que acaba prejudicando a igreja. A adoração está presente no coração daqueles que de fato são adoradores, e o Deus que procura a adoração, nos recebe com a nossa adoração. Enfim, não sacralize, não tornem sagrado aquilo que é simplesmente uma ferramenta, um estilo, uma música, ou uma forma de adorar, o Deus que recebe a adoração, está na verdade procurando os que adoram em espírito e em verdade! O problema é que muitos relacionam a adoração com “sistema de amplificação de som, cultura contemporânea, música em geral.” E se não houver nada disso? A adoração deixa de existir? De forma alguma, nesses momentos surgem os que adoram em espírito e em verdade. Gostaria de encerrar citando um trecho de uma música que gosto, interpretada pelo David Quinlam: “Quando a música esmorece, o resto desaparece. Simplesmente a ti me achego!”

Abraço

Deus abençoe

Esdras Souza

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