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Espiritualidade X Musicalidade

26/08/2010

Eu gostaria de falar um pouco sobre esse tema, que apesar de polêmico, é bem libertador para aqueles que desejam realmente entender como é o senhorio de Deus na vida de um músico. Vivenciando muitas situações, tanto passadas quanto presentes, Deus me levou a escrever sobre esse tema que tanto martela na vida dos músicos cristãos, e é meramente uma opinião formada a partir da minha interpretação em relação a alguns princípios bíblicos. O que é mais importante, a Musicalidade ou a Espiritualidade? Existe mesmo uma guerra na mente dos músicos em relação a isso? A Musicalidade funciona sem Espiritualidade? E a Espiritualidade, funciona sem a Musicalidade na vida de um músico?

Indo aos dicionários, percebe-se que Musicalidade é a capacidade técnica dos músicos de apresentarem-se com suas respectivas características. Funciona como um medidor de qualidade musical. Podemos dizer que é o Termômetro da Música. Espiritualidade funciona quase que da mesma forma. É a qualidade do que é espiritual, do que se inclina para as coisas do espírito. Nesse caso, é o tratamento que a pessoa dá ao relacionamento dele com o próprio Deus. Baseando nesses princípios; em alguns trechos e versículos bíblicos, podemos dizer sobre as duas coisas separadamente, e a relação entre elas.

Em Gênesis 4, aprendemos que sempre devemos dar o melhor de nós para Deus, com as ofertas de Caim e Abel, podemos entender que Deus espera sempre o melhor de nós. Mas muitos esquecem que o melhor de nós, não é o melhor da mídia ou o melhor para os outros, não é o melhor padronizado por algum grupo que julga ser bom ou ruim aquilo que você esteja fazendo. Fazer o melhor é fazer o seu máximo, e cada um tem um máximo diferente do outro. Se você que é músico cristão, toca na sua igreja ou em alguma banda e tiver uma oportunidade de estudar, e não estuda, a isso damos o nome de Mediocridade. Isso não agrada a Deus, vejamos os textos abaixo:

*Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo. Salmos 33.3

*Um dos funcionários respondeu: “Conheço um dos filhos de Jessé, de Belém, que sabe tocar harpa. É um guerreiro valente, sabe falar bem, tem boa aparência e o Senhor está com ele”. I Sm 16.18

*Maldito aquele que fizer a obra do SENHOR fraudulentamente… Jeremias 48:10a

Estes textos e outros mais, nos ensinam que realmente precisamos ter qualidade naquilo que fazemos, sempre é bom que o músico encontre alguém que saiba mais do que ele, para que isso seja um incentivo e ele busque ser cada vez melhor. Muitas vezes, chega-se a um limite medíocre e a tendência é cair no comodismo. Deus é digno de excelência e não de mediocridade, por isso você precisa “melhorar” o seu melhor na música que faz. Para que, ao glorificar a Deus, as pessoas digam: “Este músico, que toca tão bem, é cristão!” – Olha que maravilha! Isso é um duplo testemunho.

Por outro lado, isso não é o bastante na vida de um músico. Pra quê fazer o melhor para Aquele ao qual nem se tem um relacionamento? Ainda mais se quando pra Ele, o seu coração é o que mais importa! Porque darei a Deus o meu melhor, o meu talento, se Ele não pode ter o meu coração? Em vão toca o músico, se ele não tocar antes o coração de Deus! Infelizmente tenho percebido muitos músicos que levam muito a sério a questão de ser um bom músico, ser um excelente naquilo que faz, isso é maravilhoso, mas, quando se está focado em Deus. Tudo isso é em vão se no final ele retém a glória que supostamente seria de Deus. Buscam ser os melhores, mas para própria vanglória, para serem elogiados e receberem toda congratulação após suas apresentações. Até se disfarçam dizendo: “Glória a Deus!” – mas na verdade, seus frutos apresentam um caráter crítico e soberbo. Quando se coloca a espiritualidade na mesa, não possuem argumento algum, suas orações denotam uma vida sem comunhão alguma com Deus, seus conceitos vão de contra a própria palavra de Deus. Isso me lembra os Hipócritas citados por JESUS em Mateus 6.2. Do que adianta, ser um músico munido apenas de MUSICALIDADE? Ao ministrar em alguma igreja e for convidado a pregar, envergonhará a si próprio, e ao evangelho, ao qual ele diz que prega. A ele interessa apenas em ser o “bom da boca!” Veja o texto que se segue: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido!” I Coríntios 2.14-15

É exatamente isso que acontece a eles, não entendem, não conseguem reconhecer que Deus é que faz na vida de quem ele quiser, onde quiser, da forma como quiser. Não importa o nível da sua Musicalidade, se Ele quer fazer com você, e você o responde dando o seu melhor, é o que Ele precisa pra poder te usar de acordo com a sua capacidade, de acordo com aquilo que você realmente pode fazer. Da mesma forma que ele fez com os talentos distribuídos aos seus servos segundo as suas capacidades. Mateus 25.14

Nesses últimos anos, surgiu uma banda no meio Cristão, chamada “PALAVRANTIGA”, eu particularmente curto muito, não por qualidade musical, mas pelas letras de poesia e verdades bíblicas contidas nas músicas da banda que transmite paz. Mas é um exemplo essencial para o que se segue. A Banda é formada por quatro pessoas, lançaram seu primeiro EP em 2008 com apenas 6 canções, e uma gravação bem simples. Tiveram 4.000 cópias vendidas em um ano. Eu conheci um pouco do vocalista Marcos Almeida, e percebe-se a humildade e a presença de Deus estampada na vida do jovem. Deus não precisa de virtuosismo para levantar uma banda, ou para agir na vida de um músico. Visto  que existem milhares de músicos e bandas cristãs escondidos ou enterrados no mercado musical por que não conseguem se submeter ao Senhorio de Deus. Ele age pela liberdade que lhe é dada! A Bíblia diz: Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Tiago 4.6

O ideal seria que todos fossem virtuosos, excelentes naquilo que fazemos, e tivessem plena comunhão com o Espírito Santo, para poder fazer com qualidade e humildade aquilo que Ele deseja, que é transmitir ao mundo uma mensagem de salvação através dessa ferramenta que é maravilhosa! Mas infelizmente, a maioria de nós, quando nos tornamos excelentes, achamos que somos independentes, que não precisamos mais do milagre de Deus em nossas vidas. Impressionante como a maioria dos músicos bons têm dificuldades de reconhecer Deus como o Senhor da música, é um grande desperdício. Aliás, em todas as áreas têm um pouco disso.

Vejo músicos investindo tempo em seus conhecimentos técnicos, seu profissionalismo, esquecendo do mais importante que é a comunhão com Deus. Agora, se quiserem trabalhar da sua forma, até acho que poderão fazer sucesso, como muitos por aí, por serem esforçados e dedicados às suas técnicas. Mas é pura ilusão, fazer com as próprias mãos aquilo que partiu do coração de Deus! É questão de inteligência, veja bem: Se Deus tem o controle de todas as coisas, não seria melhor fazer por meio d’Ele? Pense nisso, mas saiba que Deus sonda os corações (Salmos 7.9).

Finalizando, quero deixar um recado para os leitores músicos cristãos:

“Músicos, não tropecem na sua soberba, seja sim excelente, mas antes, sirva a Deus, se você quiser ser grande amanhã, comece sendo pequeno hoje. Dê bom testemunho da sua fé, mais importa apresentar ao mundo um Evangelho através de uma simples música do que mostrar seu Show egoísta e soberbo através de suas técnicas que poderão impressionar a alguns, mas não irá comover aquele que é Digno de Todo Louvor e Adoração! E quando forem aplaudidos pensando que se deram bem, não se esqueça que Deus não divide a glória d’Ele com ninguém!”

Grande Abraço

Esdras Souza

Godcore

A Doença do “Estrelismo”

20/03/2010

A doença do “Estrelismo” ataca só os músicos?

“Músicos são vítimas de uma terrível doença que se alastra cada vez mais dentro de nossas igrejas, o “Estrelismo”. O pior é que elas são contagiosas, e cega os contraentes. Mas o que quase ninguém sabe devido os sintomas serem menos evidentes, é que a doença não ataca só os músicos”!

A idéia do tema em questão é entender as atitudes dos Ministros de Louvor e Pregadores em relação ao culto ao Senhor. A Bíblia sempre citou Levitas, Cantores, Instrumentistas como pessoas e/ou formas de adorar a Deus em um culto. Hoje entendemos que o Louvor é parte de um culto, é um período dentro da programação de um culto a Deus, e como tal, tem a sua devida importância, assim como a Pregação, Ofertas e Dízimos, Danças, e em alguns casos, até mesmo o Teatro e etc. Isso varia de Denominação a Denominação.

Mas eu quero chegar a um ponto onde muitas pessoas observam, e é evidente em muitas de nossas igrejas, e isso acaba sendo preocupante, mas ao mesmo tempo, a liderança tem se posicionado de forma passiva, digamos, fazendo “vista grossa” em relação às nossas atitudes como músicos na casa do Senhor.

É inaceitável a idéia de que músicos estejam na casa de Deus, sendo simplesmente músicos que não têm outro compromisso a não ser tocar ou cantar de fato. Temos vistos músicos que exercem o período de Louvor na sua função, e depois vai embora pra casa ou para outros compromissos, não participam da palavra ou de qualquer outro período do culto. Isso sem contar que, como no momento do ofertório, os músicos estão tocando/cantando, não podem largar seus instrumentos para ofertar a Deus, e depois desse período, alguns vão embora sem ofertar, e outros participam do culto normalmente. Amados isso é algo que quase ninguém observa, mas Deus nos contempla dos céus. Em Jr. 16.17 diz: “Porque os meus olhos estão sobre todos os seus caminhos; não se escondem da minha face, nem a sua maldade se encobre aos meus olhos”.

Mas algo ainda menos perceptível aos olhos da igreja é o outro lado da história. Se por um lado, nós como músicos, envergonhamos o nome de Cristo com nossas atitudes, o que se dirá de nós, Pastores e Pregadores da palavra de Deus, que chegam na igreja após o período de Louvor? É interessante porque, músicos são cobrados, e de fato, tem que ser mesmo, mas quem cobrará a classe de Pastores e Pregadores dentro de nossas igrejas? Não querendo generalizar, claro que existem muitos que tem verdadeiramente o anseio de adorar a Deus no período de Louvor, até mesmo porque sabem a importância e realmente sentem prazer nisso! Mas então, a doença do “Estrelismo” ataca só os músicos? Infelizmente não.

Fica difícil entender o fato dos “Pregadores da noite” chegarem exatamente no momento da “palavra”. E pior, a impressão que dá, é que enquanto o Ministério de Louvor está lá “suando a camisa” pra levar a igreja até o Trono de Deus, eles estão em algum lugar no “Camarim da Pregação” se aquecendo para ser a “próxima” atração da noite! É como se o Ministério de Louvor abrisse o “Show do Pastor”!

Se o pregador vem de fora, somos passivos, devido à possibilidade de imprevistos na estrada ou qualquer outro motivo, mas porque não saem de casa mais cedo? Se o pregador é membro ou pastor da igreja local, qual a dificuldade que se tem em chegar no culto mais cedo? Pontualidade tem que ser encarada como um valor individual de todo Cristão! Aliás, a atitude de se precaver em relação a horário é virtude dos sábios, uma vez que existe no nosso dicionário a palavra “imprevisto”. Ainda mais se tratando de líderes.

Em uma pregação do Pastor Sóstenes Mendes, ele retrata essa idéia como “O Clero e o Leigo”, é como se o “Pregador da Noite” dissesse: “Não! Deixe-os lá ministrando, é uma rapaziada bacana, uma moçada gente fina, os deixe amaciando a igreja e depois a gente (o Clero) entra em cena!”

Isso acontece? Infelizmente sim. Não em todas as igrejas, não com todos os músicos e pastores respectivamente. Claro que respeitamos e honramos os nossos pregadores e pastores, pois como diz em Hb 13.17, pastores hão de dar conta das nossas vidas, e temos profundo carinho por nossos pastores, pelo amor com o qual zelam por nossas vidas, sejamos servos obedientes para que o faça com alegria. Mas são coisas que infelizmente estão presente no cotidiano da igreja e que músicos convivem com isso da mesma forma que Pregadores convivem com a falta de comprometimento dos músicos.

Entendemos a importância de cada ministério dentro da igreja. A bíblia nos conta a respeito de Davi como Ministro de Louvor em I Sm. 16.23, que era usado pelo Espírito de Deus pra libertar o Rei Saul dos espíritos malignos, e também nos fala da importância da Pregação, foi por ela que em At 2.41 quase 3 mil almas se converteram pela palavra do Apóstolo Pedro, assim como eu e você. Mas o que toda a igreja precisa entender é que além de entristecer o coração de Deus, pode virar motivo de escândalo, as pessoas observam. Em II Co. 6.3 diz: “Não dando nós escândalo em coisa alguma, para que o nosso ministério não seja censurado.” Algumas pessoas nem sabem que isso acontece dentro das igrejas, mas independente disso, aprendamos a servir a Deus com toda nossa força, com todo nosso coração, façamos com amor. (Js 22.5)

E principalmente nós, como líderes de frente de Ministério temos que ter a consciência, não podemos ser pedra de tropeço uns para os outros, e nem dar motivo para escândalos, I Co 10.32 diz: “Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus...” Precisamos nos apresentar a Deus como líderes aprovados (II Tm. 2.15), como ministros de Deus, mensageiros da sua Palavra, seja em Pregação, Louvor ou qualquer outro ministério segundo o nosso chamado, sejamos prudentes e façamos a Obra do Senhor com toda diligência e dedicação (Jeremias 48.10). É o mínimo que podemos fazer em virtude do que Ele, o Cristo tem nos dado imerecidamente.

Deus abençoe!
Abraço

Godcore Sk8 Music
(Esdras Souza)